Agenda fraca testa apetite por risco

25.09.2020 | Olívia Bulla

É fraca a agenda econômica desta sexta-feira e essa falta de referência para o dia deixa o mercado financeiro mais solto, aguçando a volatilidade, que tem marcado os negócios recentemente. Apesar da sessão de ontem ter sido dedicada à correção dos exageros do dia anterior, quando uma nova onda vendedora (sell off) atingiu os ativos, é perceptível a menor disposição dos investidores ao risco, ainda mais na véspera do fim de semana.

Esse apetite reduzido não impede uma caça às pechinchas, tal qual vista ontem, mas inibe uma exposição maior aos ativos mais arriscados, evidenciando a fragilidade de qualquer tentativa de melhora e delimitando um intervalo relativamente estreito de oscilação. Tudo isso porque, para ir além, os investidores esperavam estímulos monetários adicionais, mas a contribuição dos bancos centrais já se esgotou, embora o lado fiscal ainda possa agir.

Por isso, diante do calendário esvaziado do dia, as atenções se voltam para as negociações no Congresso em torno de um novo pacote de estímulo, tão demandado pelo Federal Reserve nos últimos dias. Os democratas estariam trabalhando em um pacote de US$ 2,4 trilhões, abaixo dos US$ 3 trilhões desejados anteriormente, mas ainda bem acima da proposta de perto de US$ 1 trilhão que os republicanos sugerem aceitar.

O problema é que a seis semanas das eleições presidenciais nos Estados Unidos é difícil imaginar que haja uma janela de oportunidade para a aprovação de um novo pacote, após meses de impasse. E, a depender de quem for vitorioso na disputa, qualquer novo auxílio aos ainda milhões de desempregados e às pequenas empresas pode ficar adiado para 2021, prolongando os sinais de estagnação da recuperação econômica. 

Por aqui, o governo já avisou que o rombo fiscal neste ano deve ser ainda maior, rumo ao trilhão (de reais), elevando a sensação de que as contas a pagar facilmente irão "furar" o "teto dos gastos" em 2021. A não ser que um imposto seja criado, nos moldes da velha CPMF. Além disso, o Palácio do Planalto insiste em um novo programa social, repaginando o Renda Brasil, ainda mais agora que a aprovação do governo atingiu 40%.   

Exterior de lado

Com isso, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram na linha d’água, sem um viés definido, alternando leves altas e baixas, após uma sessão mista na Ásia, onde as praças chinesas caíram, mas Tóquio subiu. As principais bolsas europeias também não exibem um rumo único, com o índice referencial da região, o Stoxx Europe 600, caminhando para cravar a pior semana desde meados de junho. 

Por lá, o avanço de casos de coronavírus em vários países também preocupa. Os governos do Reino Unido e da França introduziram novas medidas para combater o aumento de casos, enquanto a Espanha luta contra um surto de covid-19 na região de Madri. O receio é de que o ressurgimento da doença no continente leva a adoção de novas restrições, prejudicando os primeiros sinais de retomada da atividade (e do consumo).

Mas o euro e a libra medem forças em relação ao dólar, que segue mais fraco frente às moedas rivais, devolvendo boa parte dos ganhos recentes. O petróleo tira proveito e volta a ser negociado na faixa de US$ 40, enquanto o ouro se afasta ainda mais da faixa de US$ 1,9 mil por onça-troy. De um modo geral, percebe-se, então, que os ativos tentam encontrar um ponto de equilíbrio, em meio à ausência de catalisadores e muitas incertezas. 

Dia de agenda fraca

A semana chega ao fim com uma agenda econômica bem mais fraca, trazendo apenas a confiança do setor de construção civil no Brasil (8h) neste mês, a nota do BC sobre as operações de crédito no mês passado (9h30) e as encomendas de bens duráveis nos EUA em agosto (9h30).

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