Coronavírus e fiscal desafiam mercado

16.10.2020 | Olívia Bulla

A semana chega ao fim trazendo poucas novidades para o mercado financeiro, o que tende a manter os negócios arrastados ao longo do dia. Uma segunda onda de contágio de covid-19 na Europa, que já retomou medidas de isolamento social, divide a atenção dos investidores com a questão fiscal nos Estados Unidos e no Brasil. Mas enquanto lá o impasse é quanto a um pacote trilionário; aqui, a disputa é por não furar o teto dos gastos.  

O mercado doméstico vive um dilema, pois é o maior defensor da austeridade fiscal, mas sabe que o fim do auxílio emergencial pago pelo governo aos mais vulneráveis à pandemia de coronavírus terá efeito considerável sobre a recuperação econômica. Com boa parte da população sem renda e sem emprego, as empresas tendem a reduzir seus investimentos e a produção, desacelerando o ritmo da atividade em 2021.

Nesse cenário, qualquer choque de preços tende a ter efeitos menos nocivos na inflação ao consumidor, diante do menor espaço para repasse (pass through) por causa da perda de poder aquisitivo das pessoas. Ainda assim, pode haver um acúmulo de pressão inflacionária, o que tende a demandar uma resposta do Banco Central, ainda que haja dificuldades do país em crescer.

Por isso, a piora do quadro fiscal é o principal risco aos ativos locais, pois reflete a capacidade do governo em administrar a dívida pública, conseguindo rolar os débitos a taxa de juros reais que, em tese, deveria ser consequência dessa solvência. Mas o Tesouro Nacional vem enfrentando dificuldades em financiar suas obrigações e garantir pagamentos, de curto prazo, principalmente. 

É, portanto, uma crise da dívida que se avizinha. E, por mais que a quietude em Brasília possa durar até depois das eleições municipais, em novembro, enquanto não houver mudança na discussão em torno do Renda Cidadã e o “teto dos gastos”, qualquer alívio dos negócios por aqui será mais técnico do que sustentável. E isso explica porque o dólar sobe há três pregões e o Ibovespa não consegue retomar a faixa dos 100 mil pontos.  

Exterior alimenta esperança

Lá fora, é a liquidez sem precedentes jorrada pelos principais bancos centrais, no auge dos impactos da pandemia no mercado financeiro, em março, que inibe uma correção mais firme no preços dos ativos. Os investidores preferem acreditar que novos estímulos serão lançados após o fim da disputa pela Casa Branca, diante dos sinais de perda de tração da recuperação econômica, a “precificar” os efeitos na atividade de uma nova onda do vírus.

Com isso, os índices futuros das bolsas de Nova York orbitam na linha d’água nesta manhã, tentando interromper uma sequência de três sessões seguidas de queda. A agenda econômica norte-americana, que traz dados sobre o varejo e a indústria nos EUA, tende a definir o rumo dos negócios em Wall Street hoje. Na Europa, as bolsas se recuperam das fortes perdas da véspera e têm alta firme, assim como o euro.

Já na Ásia, houve queda em Tóquio (-0,4%), mas ganhos em Hong Kong (+0,9%) e em Xangai (+0,1%), com os investidores monitorando o aumento de casos de covid-19 ao redor do mundo. As infecções têm aumentado na Europa, o que forçou vários países a apertar as restrições em cidades como Paris e Londres para evitar um novo surto, e também há aumento de registros nas Américas, que ainda tenta conter uma primeira onda.

E um ressurgimento de casos covid-19 em várias partes do mundo significa limites à vida pública, incluindo um possível retorno aos bloqueios, o que seria prejudicial ao crescimento econômico - ainda que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha se manifestado contra novos lockdowns. Daí então porque o mercado financeiro prefere alimentar esperanças por rodadas adicionais de estímulos.

Atividade nos EUA em destaque

A agenda econômica do dia traz como destaque dados de atividade nos Estados Unidos. Às 9h30, sai o desempenho das vendas no varejo em setembro, que devem acelerar levemente o ritmo de alta e crescer 0,8% em relação a agosto. Da mesma forma, a produção industrial norte-americana (10h15) deve avançar 0,8% no mês passado, praticamente o dobro do observado no mês anterior. 

Depois, às 11h, é a vez dos estoques das empresas em agosto e da prévia deste mês do índice de confiança do consumidor norte-americano. À tarde, às 17h, sai o fluxo de capital estrangeiro de e para os EUA em agosto. No Brasil, destaque apenas para o primeiro IGP de outubro, o IGP-10, que deve reforçar a suavização da pressão nos preços vinda do atacado. Já na zona do euro, sai a balança comercial em agosto, logo cedo.

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