Mercado avança, apesar da pandemia

Atualizado: Nov 18

17.11.2020 | Olívia Bulla

Possibilidade de vacina contra covid-19 nos próximos meses impulsiona ativos ligados ao crescimento econômico, ainda que ritmo da recuperação global continue sendo dúvida

A possibilidade de uma vacina contra a covid-19 nos próximos meses levou o Ibovespa e o índice Dow Jones aos maiores níveis desde antes do início da pandemia ontem, em mais um sinal de que para o mercado financeiro o assunto já deu. Embora a OMS tenha afirmado que sozinha, a vacina não é suficiente para vencer a doença, e os Estados Unidos fique bloqueado do Atlântico ao Pacífico, os investidores preferem acreditar que coronavírus vai algum dia desaparecer, como em um milagre.

Da mesma forma, o risco fiscal no Brasil passou quase batido no mercado doméstico, apesar de ter encurtado o fôlego de queda do dólar, que não conseguiu se firmar abaixo de R$ 5,40 e acabou fechando mais próximo a R$ 5,45. A espera por uma demonstração firme do compromisso do governo com o “teto dos gastos” e por alguma movimentação no Congresso em torno da votação de duas PECs (Emergencial e Pacto Federativo) e do Orçamento de 2021 antes do fim do ano também inibiu a retirada de prêmios nos DIs.

Ou seja, os investidores estão tomando risco em ações de empresas mais sensíveis ao crescimento econômico, acreditando que a vacina irá permitir o funcionamento pleno da atividade, ainda que o ritmo da recuperação no Ocidente continue sendo a maior incógnita no momento. Aqui, o mercado e a equipe econômica insistem na pauta de que é preciso tocar adiante a agenda de reformas e contornar a trajetória da dívida pública para garantir uma expansão sustentável da economia brasileira.

Lá fora, o aumento constante de casos diários de coronavírus nos EUA reforça a formação de uma segunda onda da covid-19 no país, levando muitos estados a reativarem medidas restritivas às atividades e à circulação de pessoas. A Califórnia proibiu a abertura de muitos negócios desde ontem e falou até em toque de recolher; Michigan ordenou uma paralisação parcial de três semanas, enquanto Oregon, Washington e Nova Jersey restringiram os horários de funcionamento. No Iowa, o uso de máscara passou a ser obrigatório.

Apesar da vacina

Além disso, é preciso ter maior clareza em relação aos desafios significativos na busca pela imunização da população global, relacionados ao tempo de produção em escala, distribuição/logística e eficácia. Portanto, os investidores podem estar abandonando a postura defensiva e embarcando em um ciclo mais ofensivo em relação ao risco, embora não se saiba quando a atividade e a mobilidade social vão se normalizar.

A euforia criada com o anúncio da eficácia de várias vacinas deve, em breve, dar lugar a uma análise mais sóbria de quão longo e árduo será o caminho para uma recuperação econômica sustentável dos países centrais. Por ora, persistem as preocupações em meio a um surto de casos de coronavírus em todo o mundo, com a pandemia crescendo na Europa, nos EUA - e também no Brasil.

Tanto que os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com leves baixas, ensaiando uma tímida realização de lucros, um dia após o Dow Jones encerrar a sessão colado à marca psicológica dos 30 mil pontos, enquanto os índices S&P 500 e o Nasdaq Composto cravaram novo recorde. Na Ásia, os ganhos foram bem mais modestos, sendo que Xangai ficou no vermelho (-0,2%), enquanto Tóquio liderou as altas, mas subiu apenas 0,4%.

Esse desempenho mais fraco no Oriente e em Wall Street diminuem o ímpeto dos negócios na abertura do pregão europeu, com as bolsas oscilando sem uma direção definida, ainda digerindo a força com que um novo ciclo de contágio do coronavírus está atingindo a região. O dólar estende as perdas de forma generalizada em relação às demais moedas, o que sustenta o barril do petróleo acima da faixa de US$ 40. O juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) segue orbitando ao redor de 0,90%.

Atividade nos EUA em destaque

Dados sobre o desempenho do varejo e da indústria nos EUA em outubro estão em destaque na agenda do dia. Às 10h30, saem as vendas no varejo no período e a previsão é de desaceleração a +0,5%, ante alta de 1,9% em setembro. Depois, às 11h15, é a vez dos números da produção industrial, que deve apagar a queda de 0,6% no mês anterior e crescer 1% no mês passado.

Ainda no calendário econômico norte-americano, serão conhecidos os preços de importação e de exportação em outubro (10h30), os estoques das empresas em setembro e o índice de confiança das construtoras em novembro, ambos às 12h, além do fluxo de capital estrangeiro nos EUA no mês passado (18h). No Brasil, o calendário econômico está esvaziado.

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