Mercado inicia contagem regressiva

26.10.2020 | Olívia Bulla


A contagem regressiva para o dia da eleição nos Estados Unidos já começou e a semana que antecede a data deve ser intensa no mercado financeiro, ainda mais por aqui, onde a votação ocorre na volta do feriado na próxima segunda-feira. Até então, os investidores estavam fixados nas negociações entre republicanos e democratas sobre um novo pacote fiscal e também nos bastidores em Brasília. Agora, o radar se volta para a agenda.

E o calendário econômico dos últimos dias do mês está carregado. Em destaque, estão as decisões de juros dos bancos centrais do Brasil, na quarta-feira, e da zona do euro, no dia seguinte. Em ambos os casos, a estratégia de política monetária foi colocada à prova, com os riscos fiscais podendo levar o Copom a inverter o ciclo de cortes e o aumento de casos de covid-19 na Europa demandado estímulos adicionais do BCE. 

Já nos EUA, a corrida presidencial deve manter o suspense até 3 de novembro. Apesar das pesquisas indicarem uma vitória do rival Joe Biden, é bom lembrar que nas eleições de 2016 o então candidato Donald Trump teve 3 milhões de votos a menos, mas derrotou a democrata Hillary Clinton entre os delegados. Mas se as sondagens estiverem certas, Trump será o primeiro presidente a não ser reeleito desde George Bush pai, em 1992. 

Enquanto aguarda uma definição da disputa pela Casa Branca, Wall Street divide as atenções entre a safra de balanços norte-americana e dados atualizados sobre a economia dos EUA. O destaque fica com a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do país no terceiro trimestre deste ano, que deve saltar nada menos que 30%, praticamente revertendo as perdas do período anterior, de -31,4%, na taxa anualizada.

Balanço liberal

Entre os resultados financeiros, saem os números trimestrais das gigantes de tecnologia Facebook, Apple, Amazon.com - todos na quinta-feira. O setor vem despontando na pandemia, já que nove das 11 atividades de empresas listadas no S&P 500 estão apresentando queda anual no lucro, no pior desempenho desde o período pós-crise de 2008. As perdas são lideradas pelo segmento de energia, notadamente as petrolíferas.

No Brasil, a temporada também ganha força, trazendo os demonstrativos contábeis de pesos-pesados como Bradesco, Petrobras e Vale - todos na quarta-feira. Mas é o clima político que deve continuar roubando a cena nos negócios locais. Afinal, apesar do recente marasmo em Brasília, as incertezas em torno do “teto dos gastos” e o Orçamento de 2021 seguem vivas, com a agenda de reformas devendo ter poucos avanços até o fim do ano.

Essa combinação de fatores externos e internos permitiu ao Ibovespa se segurar acima dos 100 mil pontos, garantindo a terceira valorização semanal consecutiva. Já o dólar orbitou ao redor da faixa de R$ 5,60, monitorando o comportamento dos juros futuros, que embutiram prêmios antecipando o início do processo de aperto da Selic, em meio aos sinais de acúmulo de pressão inflacionária e às dúvidas em relação ao rigor fiscal. 

Enquanto isso, em um dos poucos países da América do Sul que não fazem fronteira com o Brasil, o Chile, tão reverenciado pelo ministro Paulo Guedes (Economia), enterrou ontem a Constituição de Pinochet, em um plebiscito histórico. Com alta participação popular, a maioria esmagadora dos chilenos pôs fim à última grande herança da ditadura. Na semana anterior, outro país latino, a Bolívia derrotou coligação de centro-direita.

Exterior no vermelho

À espera dos eventos dos próximos dias, os índices futuros das bolsas de Nova York e as principais bolsas europeias amanheceram com perdas aceleradas, já que um acordo de estímulo nos EUA permanece indefinido e as infecções por coronavírus no país bateram recorde. Na Europa, medidas mais duras de restrição foram adotadas, em uma tentativa de combater uma segunda onda de contágio de covid-19. 

A Espanha decretou toque de recolher em várias regiões, enquanto na Itália, bares, restaurantes, cinemas e academias terão de fechar mais cedo. Já na Ásia, a sessão foi mista, com alta em Hong Kong, mas perdas em Tóquio e Xangai, com os investidores monitorando um importante plenário do Partido Comunista Chinês (PCCh), que deve traçar os planos para o desenvolvimento do país nos próximos anos.

Nos demais mercados, o dólar se fortalece, enquanto o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) segue acima de 0,8% e o petróleo tem queda firme, com o barril do tipo WTI voltando a ser negociado abaixo de US$ 40.  

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia: 

*Horários de Brasília

Segunda-feira: A semana começa com as tradicionais publicações do dia, a saber, o relatório de mercado Focus, do Banco Central (8h25), e os dados semanais da balança comercial (15h), mas a agenda doméstica também traz o índice de confiança do comércio em outubro (8h). No exterior, o calendário de indicadores econômicos mais fraco, trazendo apenas o índice regional de atividade em Chicago em setembro (9h30) e dados do setor imobiliário norte-americano (11h). Na China, tem início o encontro com membros do alto escalão do PCCh, com vistas à elaboração do 14º Plano Quinquenal, que entra em vigor no ano que vem e traça as metas até 2025. A reunião vai até o dia 29 (quinta-feira).

Terça-feira: A agenda econômica traz, no Brasil, dados sobre os custos e a confiança do setor da construção civil em outubro, além do balanço trimestral de Santander e Cielo. Já no exterior, destaque apenas para confiança do consumidor norte-americano também neste mês. 

Quarta-feira: A decisão de juros do Copom é o grande destaque do dia, em meio à agenda esvaziada de indicadores econômicos, que traz apenas os dados semanais sobre o fluxo cambial no Brasil e sobre os estoques norte-americanos de petróleo bruto e derivados nos EUA. Na temporada doméstica de balanços, Bradesco, Vale e Embraer publicam seus resultados antes da abertura e Petrobras, após o fechamento.

Quinta-feira: Mais decisão de política monetária está em destaque. O BCE decide sobre a taxa de juros e a presidente da instituição, Christine Lagarde, concede entrevista coletiva. Antes, na virada para o dia, o BC do Japão (BoJ) também anuncia a decisão de juros. Entre os indicadores econômicos, merece atenção a primeira estimativa do PIB dos EUA no trimestre passado. Na safra de balanços, nos EUA, saem os resultados de Facebook, Apple, Amazon.com. Aqui, a temporada traz os demonstrativos contábeis de B2W, Lojas Americanas e Ambev.

Sexta-feira: A semana chega ao fim com o calendário econômico repleto de destaques. No Brasil, saem dados atualizados sobre o mercado de trabalho até agosto, enquanto lá fora as atenções se dividem entre os números preliminares do PIB da zona do euro no terceiro trimestre e os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo nos EUA em setembro. No fim do dia, a China informa a leitura prévia deste mês sobre a atividade nos setores industrial e de serviços.

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