Mercado surfa na segunda onda

13.11.2020 | Olívia Bulla

Mercado recoloca o risco coronavírus no radar após segunda onda de casos nos EUA e na Europa levar a novas restrições, minando chance de recuperação em “V”

O mercado financeiro descobriu um segredo que parecia estar guardado a sete chaves: a segunda onda de contágio do novo coronavírus instalou-se nos Estados Unidos e na Europa. E esse tesouro encontrado veio com um brinde: a recuperação da economia global não será sob a forma de “V” - incluindo no Brasil, que vive uma prolongada epidemia.

A descoberta causou surpresa entre os investidores, que estavam compactuando do otimismo pós-eleições de Joe Biden na disputa presidencial e progressos no desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19, dada a valorização de dois dígitos dos ativos de risco apenas na semana passada. Wall Street puxou o movimento.

Na virada de ontem para hoje, ao menos um bode saiu da sala, com vários veículos da imprensa norte-americana projetando a vitória de Biden no Arizona, chancelando a projeção feita pela Associated Press no último sábado e encerrando dias de especulação. A notícia levou a China a se juntar a outras nações e parabenizar o democrata por vencer a eleição, após dias em silêncio diante da batalha do presidente Donald Trump para anular o resultado naquele estado.

Mas essa esperança de nova direção na Casa Branca e cura da doença que já matou quase 1,3 milhão de pessoas é confrontada com a dura realidade no curto prazo, diante do aumento significativo nos casos e internações nos dois lados do Atlântico Norte, desencadeando a volta das medidas de distanciamento social e restrições às atividades.

E com a proximidade do inverno no hemisfério norte, a perspectiva é de que essas reversões continuem aumentando e novos bloqueios (lockdowns) sejam adotados, ameaçando a melhora recente de indicadores econômicos sobre a atividade e o emprego, principalmente nos EUA.

Em Washington, republicanos e democratas mantêm as dúvidas quanto a um novo pacote fiscal em breve.

Aqui, a subnotificação e a defasagem nos dados dão a falsa sensação de que o pior já passou. Com isso, é crescente o consenso dentro do governo, inclusive com o ministro Paulo Guedes, de que haverá a prorrogação do auxílio emergencial.

Curto Prazo x Longo Prazo

Apesar disso, os mercados internacionais ensaiam uma recuperação nesta manhã, mas os investidores seguem de olho na disseminação do coronavírus, ao mesmo tempo em que renovadas preocupações com estímulos adicionais e esperanças mais comedidas em relação à vacina contra a covid-19 entram em jogo. Tudo isso encurta o fôlego dos ativos.

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com leve alta, em uma tentativa de melhorar o desempenho semanal em Wall Street, após a queda ontem reduzir os ganhos acumulados desde segunda-feira. Na Europa, as principais bolsas também exibem o sinal positivo, após uma sessão de perdas moderadas na Ásia. O petróleo cai e o dólar também.

De um modo geral, o mercado financeiro enfrenta algumas pressões de curto prazo, mas sem perder de vista algumas esperanças de longo prazo. A notícia sobre a vacina da Pfizer foi vista como boa apenas no médio prazo, mas significa que a luz no fim do túnel que sempre estava lá já aparece no horizonte.

Ao mesmo tempo, porém, a disparada de novos casos diários de coronavírus nos EUA para números recordes mergulha as economias centrais em uma segunda onda de contágio, que parece muito pior do que foi a primeira. E isso pode levar à diminuição do ritmo da atividade econômica, prejudicando a recuperação prevista para o quarto trimestre.

Por mais que o progresso com a vacina seja uma grande notícia, desafios e incertezas envolvendo tempo de produção, distribuição e eficácia seguem em aberto. O quadro geral sobre o que o futuro reserva é menos otimista do que os investidores parecem vislumbrar. Mas, como diria certo economista clássico, “no longo prazo, todos estaremos mortos”.

Mais Atividade

A semana chega ao fim trazendo novamente dados de atividade em destaque. Aqui, será conhecido o índice compilado pelo Banco Central (IBC-Br) em setembro, às 9h, que agrega o desempenho dos setores sob a ótica da oferta. A expectativa é de alta de 1% ante agosto, no quinto mês seguido de resultado positivo, mas queda anual de -1,3%.

Já no exterior, merece atenção a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no terceiro trimestre, quando deve registrar crescimento recorde, de dois dígitos (+13%), que pode ser um interlúdio antes da provável nova recaída da economia na região da moeda única devido aos novos lockdowns por causa da segunda onda.

Os números serão conhecidos logo cedo (7h). Depois, nos EUA, saem o índice de preços ao produtor (PPI) em outubro (10h30) e a prévia deste mês do índice de confiança do consumidor norte-americano (12h).

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