Nada abala o otimismo dos mercados

16.11.2020 | Olívia Bulla Mercado

Mercado financeiro absorve perspectiva de virada para 2021 ainda sob impacto do coronavírus, mantendo otimismo sobre uma vacina e menos medidas de restrição

Falta apenas cerca de um mês e meio para o fim de 2020 e o mercado financeiro absorve a perspectiva de virar de ano ainda sob impacto do coronavírus. Os investidores já estão cansados da pandemia e a covid-19 já dura mais tempo do que o antecipado. Mas os sinais de que um bloqueio (lockdown) não está na agenda do governo Biden, apesar de os Estados Unidos registrarem 1 milhão de novos casos em apenas seis dias, anima.

A assinatura de um acordo comercial entre 15 países da Ásia-Pacífico, incluindo a China, também impulsiona os negócios, com a maior parceria de livre comércio do mundo alimentando esperanças em relação à recuperação da economia em 2021. O chamado RCEP, na sigla em inglês, representa a maior integração econômica da região, abrangendo quase um terço da população mundial e respondendo por quase 30% do PIB global.

Em reação a essas notícias, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta firme, após uma sessão positiva na Ásia, onde Tóquio e Seul lideraram os ganhos, com 2%, cada, enquanto Xangai subiu 1,1%. Os investidores também digerem dados sobre a atividade chinesa. A produção industrial manteve o ritmo e cresceu 6,9% em outubro, em base anual, enquanto as vendas no varejo ganharam força e avançaram 4,3%, no período.

Os investimentos em ativos fixos aceleraram a alta para 1,8% no acumulado do ano. Esses números também embalam a abertura do pregão europeu, além do petróleo. O dólar cai. Para Pequim, a economia chinesa mantém o ritmo estável de recuperação, após o impacto da pandemia no início do ano e de medidas efetivas no combate à disseminação do coronavírus pelo país. O mesmo não se pode dizer em relação ao Ocidente.

Sai pandemia, entra fiscal

EUA e Europa enfrentam uma avassaladora segunda onda de infeção, com os casos diários superando em muito os números vistos durante as estações mais quentes do ano (no hemisfério norte), o que aumenta o risco dos dois lados do Atlântico Norte terem de conviver com restrições às atividades por meses, ainda que a Casa Branca se mostre contrária a tais medidas. A situação da covid-19 permanece terrível nas Américas.

Na América Latina, as duas maiores economias, Brasil e México, registram algumas das maiores taxas globais de mortalidade por habitante. Tal cenário reforça a necessidade de estímulos adicionais. Mas enquanto lá fora os mercados aguardam ansiosamente por mais um pacote fiscal trilionário, aqui o coro em defesa do “teto dos gastos” é entoado. E o governo Bolsonaro terá de fazer a difícil escolha entre a austeridade fiscal e o populismo.

Com o fim das eleições em muitos municípios brasileiros, a expectativa do mercado doméstico é de que sejam aprovados no Congresso a PEC emergencial, que trata da redução de jornadas e salários de servidores públicos, o Pacto Federativo e o Orçamento para 2021 - tudo isso até o fim do ano. Discussões em torno da criação de um novo programa de transferência de renda, substituindo o Bolsa Família, devem voltar.

Até porque, já ficou claro também que os indicadores econômicos domésticos têm melhorado graças à expansão fiscal e a extensão do benefício deve ajudar na sustentação da retomada da atividade, ainda mais diante de uma longa primeira onda da covid-19 por aqui. Em contrapartida, o fim do socorro financeiro às empresas e famílias tende a diminuir ainda mais a disposição das pessoas em aderir a medidas de bloqueio, que já é pequeno.

Sem o apoio da população, a pandemia pode se prolongar ainda mais, estendendo o impacto econômico ao longo de 2021. Em meio ao surto de casos espalhados pelo mundo, a única esperança é mesmo uma vacina. Mas os desafios na busca por uma imunização envolvem também tempo de produção, distribuição e eficácia, o que pode deixar muitos países em desenvolvimento para trás, ampliando o ritmo desigual de recuperação.

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

*Horários de Brasília

Segunda-feira: A semana começa com as tradicionais publicações do dia, a saber, o relatório de mercado Focus, do Banco Central (8h25), e os dados semanais da balança comercial (15h). Também por aqui, sai o primeiro IGP do mês, o IGP-10 (8h). No exterior, sai apenas o índice regional de atividade em Nova York em novembro (11h30).

Terça-feira: O calendário doméstico está esvaziado hoje, o que desloca o foco para os EUA, onde saem os números de outubro sobre as vendas no varejo e a produção industrial, além dos estoques das empresas em setembro.

Quarta-feira: O dia reserva a segunda prévia deste mês do IGP-M, a inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro no mês passado e dados do setor imobiliário norte-americano.

Quinta-feira: A agenda econômica dos EUA concentra as atenções do dia e, ainda assim, traz indicadores de pouco relevo. Por lá, serão conhecidos os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país, o índice regional sobre a atividade na Filadélfia e mais indicadores do setor imobiliário.

Sexta-feira: O mercado doméstico funciona normalmente neste Dia da Consciência Negra, em virtude das decisões da prefeitura e do governo de São Paulo de antecipar os feriados municipal e estadual em maio. Porém, a agenda econômica do dia está esvaziada por aqui, enquanto lá fora está sem destaques, trazendo apenas a confiança do consumidor na zona do euro em novembro.

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